Educação com Tecnologias Digitais: Uma Revolução Epistemológica em Mãos do Desenho Instrucional
Este artigo foi publicado originalmente em: RAMAL, Andrea Cecilia. “Educação com Tecnologias Digitais: Uma Revolução Epistemológica em Mãos do Desenho Instrucional”. IN Educação Online - Teorias, práticas, legislação e formação corporativa. Marco Silva (org.). São Paulo: Loyola, 2003.
Para que um processo educacional seja caracterizado como “a distância”, dois elementos são fundamentais: tempo e espaço. Na educação a distância, professores e alunos, ou alunos entre si, estão separados pelo tempo e pelo espaço.
Essa situação não é nova. Milhares de profissionais fizeram cursos por correspondência oferecidos por institutos e universidades muito antes da internet. Esse sistema de envio de materiais instrucionais pelo correio é utilizado até hoje. Ele teve seu auge há algumas décadas mas, na verdade, remonta aos tempos mais antigos: poderíamos dizer, por exemplo, que os apóstolos dos primeiros tempos da Igreja Católica já faziam educação a distância. Que outra coisa seriam as cartas de São Paulo aos cristãos de Corinto, por exemplo, nas quais ele os instruía sobre a doutrina cristã? É claro que nesses casos a comunicação era muito lenta e nem sempre garantida. Basta lembrar que São Francisco Xavier, missionário nas Índias no século XVI, só recebeu uma carta de Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, quatro anos depois de ter sido escrita.
Recentemente passamos a contar com mais recursos: televisão e rádio, entre outros meios, ajudaram a potencializar a instrução, na medida em que permitem atingir mais pessoas e comunidades ao mesmo tempo.
No entanto, no contexto contemporâneo há elementos inusitados. O primeiro é a velocidade com que as informações circulam e são produzidas. Conhecimentos anteriores se modificam, fundem-se com outros ou simplesmente tornam-se ultrapassados. Até pouco mais de duas décadas, a pessoa que aprendia um ofício sabia que grande parte dos conhecimentos assimilados ainda seria válida até o fim da carreira. Hoje o ciclo de renovação dos conhecimentos não passa de uma década em um número cada vez maior de profissões.
A conexão simultânea dos atores da comunicação a uma mesma rede traz uma relação totalmente nova com os conceitos de contexto, espaço e temporalidade. Passamos a uma percepção do tempo, mais do que como algo linear (marcado por anterioridades e posterioridades), como pontos ou segmentos da imensa rede pela qual nos movimentamos. Vivemos num ritmo de velocidade pura; como afirma Lévy (1993), não há horizonte, nem ponto-limite, um "fim" no término da linha. Ao contrário, vivemos uma fragmentação do tempo, numa série de presentes ininterruptos, que não se sobrepõem uns aos outros, como páginas de um livro, mas existem simultaneamente, em tempo real, com intensidades múltiplas que variam de acordo com o momento. Enquanto na era da escrita o mote é "construir o futuro", hoje vale o que ocorre neste preciso momento (Ramal, 2000).
Também por isso mudam os referenciais de acesso à informação, que passam a ser cada vez mais as mídias eletrônicas. Mais do que revistas, jornais impressos, ou mesmo televisão e rádio, procura-se cada vez mais a internet como fonte de notícias.
- 01/07/2011 - Andrea Ramal
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